Os tucanos saíram satisfeitos do debate da TV Record. Para eles, ao menos a um propósito o encontro serviu: esclarecer a posição do presidenciável José Serra a respeito das privatizações. A estratégia de tentar colar a ele a pecha de privatista vem sendo reprisada na propaganda de TV de Dilma Rousseff (PT) e a cada debate. A equipe de Serra achou por bem que o candidato inserisse ele próprio o assunto e esclarescesse logo sua posição.
Já no segundo bloco Serra resumiu: “Dilma tem dito mentirosamente que eu pretendo privatizar o pré-sal.” A partir daí, lembrou a atuação de Dilma à frente do Conselho de Administração da Petrobras, quando houve autorização para participação de empresas estrangeiras na estatal.
Serra usou também o bem-sucedido exemplo da privatização da telefonia e disse que, sem ela, não seria possível Dilma pensar em levar internet banda larga para todo o país. Ao final do debate, o tucano quis saber de interlocutores o que acharam de sua abordagem sobre o tema. Foi aprovado.
Na plateia, a tática de Serra também foi bem recebida por correligionários. O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, falou por experiência própria. “Fui vítima da mesma campanha de medo do PT em 2006. Serra fez bem em esclarecer logo suas intenções sobre a Petrobras.”
A discussão serviu ainda para suscitar um tema que deve ser reverberado nos próximos dias pela campanha tucana: a participação do ex-presidente Fernando Collor de Melo, atualmente aliado de Dilma, em uma distribuidora da Petrobras. Serra jogou dúvidas sobre a natureza da atuação do senador.
Ao deixar os estúdios da Record, comentou: “Fiquei curioso para saber do pensamento da Dilma sobre o fato do Collor ser um dos mandantes da BR Distribuidora, da Petrobras. Negar ela não negou, mas, estranhamente, não se manifestou sobre o assunto.”
Bate-bola – O debate foi entrecortado por mudanças bruscas de tema e de tom. Cada candidato falou sobre o que quis, mesmo que não fosse questionado sobre. O coordenador da campanha de Serra, senador Sérgio Guerra, notou: “A conversa, por vezes, acabou meio sem nexo.”
Serra, ao final do programa, admitiu: “Não dá para fazer um bate-bola perfeito.” Da parte dele, autoavaliou-se, não houve pergunta sem resposta. A crítica de Dilma após o debate, de que o tucano não respondeu de forma convincente sobre emprego, foi tratada com ironia por Serra. “Se ela não entendeu, eu posso voltar e explicar a ela depois.”
Fonte: Veja
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