Mostrando, com ideias e propostas, que pode fazer muito mais pelo Brasil, domingo, José Serra participou do primeiro debate entre presidenciáveis no segundo turno, na Band, com mediação do jornalista Ricardo Boechat
Educação
No primeiro bloco, Boechat perguntou aos candidatos “qual o tema mais importante para o Brasil”. Segundo Serra, “a Educação é uma questão fundamental, que tem a ver com o futuro do nosso país”. O presidenciável afirmou que vai investir no Ensino Fundamental, colocando duas professoras em sala de aula, e em capacitação dos profissionais de educação. Para Serra, o ensino no Brasil é “insatisfatório”. “Vou investir também no ensino profissionalizante, criando um milhão de vagas em escolas técnicas”.
Ataques
Em seguida, Dilma começou os ataques pessoais afirmando que José Serra e seu vice, Índio da Costa, estariam “caluniando a sua candidatura”. O ex-governador de são Paulo respondeu que ele, sim, estava sendo enxovalhado, inclusive, por sites com o nome da candidata do PT.
“Vocês confundem verdades, reportagens e matérias de jornal com ataques e coisas orquestradas”, respondeu citando o caso Erenice/Casa Civil. Em seguida, defendendo-se de mais um ataque da adversária sobre a questão do aborto, advertiu:
”Em relação a questão do aborto, Dilma, você disse com clareza que era a favor e depois, o contrário. O que eu fiz quando ministro da Saúde, por sugestão do pessoal da Saúde da mulher, foi fazer uma norma técnica para casos previstos em lei, de mulheres que sofreram estupro ou risco de morte”, lembrou.
Segurança
Na seqüência, Serra perguntou a Dilma a razão pela qual a candidata era contra a criação do Ministério da Segurança. Em vez de responder, a petista devolveu a pergunta com ataques. Serra foi enfático: “Ninguém se sente seguro em lugar nenhum porque não há o enfrentamento federal ao crime organizado, ao tráfico de drogas e de armas”.
Propondo o debate, o candidato garantiu que criará a Guarda Federal de Fronteiras, em entendimento com a Polícia Federal e com o Exército, para enfrentar o crime em sua origem. “Vamos criar também o cadastro nacional de criminosos e dialogar com países vizinhos, principalmente a Bolívia, para combater a entrada de drogas e de armas no Brasil”. Para o tucano, o governo federal precisa “socializar” as experiências bem sucedidas de estado para estado.
Saúde
Melhor Ministro da Saúde da história brasileira, Serra colocou em debate a situação trágica das inúmeras Santas Casas em todo o Brasil, que acumulam dívidas de bilhões de reais e que são fundamentais para o atendimento do Sistema Único de Saúde – 1/3 dois leitos do SUS pertencem às Santas Casas.
“Bastaria o atual governo não ter abandonado programas que criamos na época em que fui ministro. Tínhamos programas especiais para as Santas Casas que remuneravam pela produtividade e pela qualidade. E foi extinto”, recordou. Segundo Serra, elas sofrem com as tabelas do SUS, que “está defasada”. Nesse tema, mais uma vez, a candidata adversária não respondeu.
Ainda na área da Saúde, o tucano criticou a atuação do governo federal no tratamento de dependentes de drogas. “Nós criamos 300 leitos em São Paulo. Durante os oito anos, o governo da Dilma não fez nada. Aliás, o governo usou só metade dos recursos do Fundo Nacional Antidrogas”.
Responsável direto pela liberação dos genéricos no Brasil, José Serra questionou a adversária Dilma Rousseff pela demora na liberação de novas licenças para laboratórios produzirem medicamentos genéricos. Mais uma vez, ela fugiu da questão. Serra, não:
“Na minha gestão na área da Saúde, implementamos os genéricos. Foi uma luta bastante dura, mas ganhamos. Estima-se que a população tenha economizado 15 bilhões de reais. Os genéricos foram um sucesso no Brasil, só que o governo atual, por meio da Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - demora para aprovar a produção de novos medicamentos porque está loteada politicamente”.
Privatizações
Serra lembrou que o PT, que tanto fala no assunto em época eleitoral, colocou o Banco do Brasil na Bolsa de Nova York e aumentou a participação do capital privado no Banco do Brasil. Lembrou também que José Eduardo Dutra, o primeiro presidente da estatal no atual governo, elogiou ações do governo FHC na condução da empresa, que dobraram seus lucros. “Eu, quando fui líder estudantil, lutei pelo fortalecimento da Petrobrás. Não vou privatizar a Petrobrás. Vou diminuir a terceirização, os cargos de confiança, e criar a Diretoria de Saúde para ajudar os trabalhadores”, garantiu.
Em seguida, o candidato afirmou que vai fortalecer as estatais brasileiras “reestatizando-as” e servindo ao povo. “No caso da telefonia, o PT atrapalhou a abertura do setor. Sabe qual seria o modelo de telefonia do PT? O Brasil do orelhão. Telefone custava uma fortuna e hoje todo mundo tem”. O candidato tucano lembrou ainda que os Fundos de Pensão das estatais, que são dirigidos por petistas, compraram grande parte das ações das antigas estatais.
Depois de mais um resposta infundada da candidata do PT sobre privatizações, Serra apontou mais uma vez a diferença entre o discurso e a prática: “O governo da Dilma só fez seguir a política anterior com relação à privatização. Ela não explica por que o governo privatizou dois bancos”.
Dilma ainda tentou um contragolpe acusando Serra de ter vendido o Banco Nossa Caixa, quando governador finalizou o assunto: “Eu vendi o banco para o governo federal para fortalecer o Banco do Brasil. Fui contra a venda para o capital privado e isso foi bom para os dois lados: em São Paulo usamos o dinheiro no metrô e em estradas”.
Infraestrutura
Uma das piores áreas de ação do atual governo federal, a infraestrutura foi tema do penúltimo bloco do debate. Serra ressaltou que em oito anos, o PT não conseguiu investir o mínimo para melhorar as condições das estradas, aeroportos e portos no Brasil. “Em matéria portuária, somos um dos mais atrasados do mundo. A maioria dos aeroportos está ruim. Isso significa menos emprego, menos turismo, menos investimento”, analisou. “Infraestrutura não é uma coisa que se resolve com saliva. As estradas também estão abandonadas. O atual governo não investiu”.
Na última questão que fez para Serra, Dilma afirmou sem pudores que o adversário teria atacado o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Serra desmentiu: “O que eu disse é que eles anunciam um milhão de casas e entregam menos de 150 mil. Isso é um problema da realidade que pode ser constatada pelos números. Eu, quando assumo o governo, não ataco os anteriores. Eu continuei programas da época do PT, na prefeitura de São Paulo, que considerava bons, e desativei outros que eram ruins”. E finalizou: “Eu reorganizei esta área da Habitação, herança destroçada do governo Collor. Ela tem ao lado dela nesta campanha: o Sarney e o Collor. E eu tenho o Itamar Franco e FHC. O povo pode comparar”.
Biografias
No final, Serra deixou um recado para o povo brasileiro: “O debate serve para iluminar a mente dos eleitores. Quero pedir o seu voto. Se já vota em mim, consiga um voto a mais. Em troca, eu ofereço a minha biografia. Eu, minha mulher e meus filhos fomos perseguidos por duas ditaduras. Eu trabalhei pela redemocratização, fui deputado, senador, ministro, prefeito e governador. Não tenho nada para ocultar e esconder”, afirmou. E completou: “Vou eliminar os atrasos na Saúde, na Educação e na Segurança. Construir uma economia forte que possa garantir os empregos atuais e a criação de novos. Vou Manter os programas atuais. O Bolsa-Família é criação do governo passado, pois nasceu da união do Bolsa-Alimentação, que eu criei, e do o Bolsa-Escola. Vou aumentar o salário-mínimo para R$600 e fazer o reajuste de 10% para aposentados e pensionistas”.
Visão crítica, propostas claras, competência comprovada: por tudo isso, Serra é o melhor candidato a presidente do Brasil.
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